Diário Canino

Esta seção terá notícias mais objetivas sobre assuntos ligados ao Canil New Kraftfeld.

  • 09 de Abril de 2018
  • Enviar americans New Kraftfeld para o exterior.

Seguidamente criadores da Europa desejam americans de minha criação. Não só criadores. As dificuldades para enviar tem me trazido impedimentos. Cheguei a devolver a importância que um espanhol me depositou. Caso alguém saiba de alguma forma de envio que drible essas burocracias e quarentenas peço a gentileza que me enviem uma mensagem por whatsapp ou e-mail. Vários americans New Kraftfeld já poderiam estar participando de exposições ou no lar de europeus. Tenho os e-mails aqui na minha caixa para comprovar. Enquanto isso os brasileiros importam americans julgando que o melhor está lá. Na verdade, sem querer me enaltecer eu venho selecionando de forma séria, com amor e ciência há 26 anos. Mantenho no meu canil 36 americans para amplificar as possibilidades de opções de cruzamento. Como o plantel é nosso foi possível nesses anos todos analisar os temperamentos e nortear meus cruzamentos pois sempre mantive parte do valor genético que conquistei. Fico feliz quando percebo a valorização do que é nosso e minha criação visa os outros, visa você que está lendo. Ainda ontem um casal esteve aqui com seu filho e ficaram admirados que nenhum cão latiu para êles. Em compensação são corajosos e protegem o território.


  • 02 de Abril de 2018
  • Apresentando um american.

A New Kraftfeld Ruby Sister foi apresentada por mim na exposição recente de Porto Alegre e ficou em segundo lugar na pista que eu a apresentei na classe Jovem. É a primeira vez que ela entra em pista.


  • 09 de Março de 2018
  • Só falando de cães...

Eu perdi o macho Cielo Calígula New Kraftfeld. Gostava dele. Ele era filho de uma cadela especial (Linda McCartney New Kraftfeld que era filha do Hendrix Junior New Kraftfeld que vencera duas especializadas com 30 americans em pista) e seu pai era o Grande Campeão Dark Flacor New Kraftfeld que era filho de um cão que possuia alguns americans americanos que gostava). Enfim, fui atrás de um filho do Cielo que estava no interior do estado. O Panthro (filho do Cielo com a Shadow). O seu dono o trouxe e cruzei com a Cherokee (filha da Seattle com o Excalibur - a Seattle possui o Stalone que é filho de importados da Europa e o Hendrix combinado com a lendária Kaballa; o Excalibur é maravilhoso). Enfim, um excelente cruzamento que reúne várias genéticas excelentes, de americans fortes em estrutura e temperamentos equilibrados e propensão para guarda de território mas afetivos com familiares. Estou muito curioso para acompanhar a evolução dessa ninhada. Observar suas evoluções em todos os sentidos. Nasceram hoje. São 8 azuis e dois azuis com dourado. Olhando rapidamente os sexos (não gosto de estressar a mãe com essas averiguações) contei ligeiramente 5 de cada. Mas depois vejo bem. O importante agora é que tudo corra bem com a mãe e a prole. Depois anuncio a ninhada e coloco as fotos iniciais.


  • 23 de Fevereiro de 2018
  • O Pitbull como o american staff são negros aos olhos de muitos brancos!

Todos devem conhecer aquele ditado que diz que a palmeira por saber se curvar acaba não quebrando e retorna para o mesmo lugar. Por isso que nós não devemos ser rígidos demais com nossa idéias ou intolerantes ao ponto de sermos impedidos de mudar quando devamos. Isso vale para a intolerância e o preconceito. Muitos anos foram necessários para que o homem branco se convencesse que o negro é um irmão igual em todos os sentidos. Só diferente em relação a sua cor. Foram anos de luta para que o homem reconhecesse a mulher como igual. Há meio século atrás aproximadamente ainda existia banheiros só para negros até nas dependências da NASA. Uma mulher negra não poderia sentar num ônibus se um branco estivesse em pé. Na década de 60 eu morei 3 anos com meus pais nos Estados Unidos. Fiquei dos 5 aos 8 anos. Meu pai ficou mais tempo pois viajou 3 anos antes. Meu avô materno assumiu a condição de pai. E foi um grande pai. Mas, o que eu ia relatar é que meu pai, numa fase difícil que ele passou nos USA, para ganhar um dinheiro extra, ele ia num bairro só de negros vender verduras que ele colocava na caçamba da sua camionete. Era por volta de 1958 em Baltimore. Os negros gostavam do meu pai e ele conseguia transmitir para eles o que sempre me disse em suas lições: Nelson, não tenha preconceitos, o negro é um irmão seu!

Fazendo uma analogia, as pessoas deveriam mudar a forma como enxergam as raças caninas e eu falo em especial do american staffordshire terrier, parente íntimo do pitbull. Já ouvi e li até de cronistas midiáticos formadores de opinião de que seria uma raça perigosa, sujeita a morder o próprio dono a qualquer momento, um assassino feito em laboratório e, por isso, deveria ser castrado ou eliminado. Eu confesso que, depois de 26 anos criando a raça, se eu chegasse a essa conclusão, além de parar de criar eu castraria todos os meus cães. O único defeito que o american tem é que se ele não for socializado desde cedo com outros cães, caso ele encontre um cão que ele nunca viu na vida existe a possibilidade (não certeza) de que ele possa brigar com o outro cão estranho. Mas isso dependerá do temperamento desse american e da seleção que o criador desse american vem fazendo com seus exemplares. Então o temperamento desse american dependerá inevitávelmente dessa seleção. E, caso ele seja atacado por esse cão ele terá boas capacidades para se defender. Paras mim isso não é um defeito porque eu sempre admirei as pessoas corajosas e desdenhei os covardes. Para mim é uma virtude do american. Para outros um defeito.

Mas seja como for, todas as raças podem morder um outro cão e até uma pessoa. Basta visitarmos um pronto-socorro e perguntarmos para algum membro da equipe se ocorrem acidentes com mordedura de cão. Mas perguntem qual foi a raça que mordeu. A maioria dos acidentes ocorrem com outras raças. Mas a única raça que está proibida de morder é o pitbull. Quando isso ocorre dizem: viu! foi um pitbull! um perigo! Mas ninguém ninguém pergunta as circunstâncias. Como foi criado esse pitbull por exemplo. 


  • 24 de Janeiro de 2018
  • O encantamento das ninhadas

Creio que o que mais motiva a criação seja o impacto que existe ao vermos o nascimento de novas vidas repletas de possibilidades. O American Staffordshire em particular é uma raça que oferece muitas variantes de cores, marcações e, com o passar dos anos também de fenótipos. Embora exista um padrão escrito da raça que dá uma base nos julgamentos cinófilos a verdade é que se pegarmos o primeiro american registrado em 1936 nos USA e olharmos aqueles que hoje vemos desfilando nas exposições notaremos que ele evoluiu. Eu não sei se o termo seria evolução propriamente ou modificação. No início os primeiros americans ainda possuiam em sua essência genética a alma do american pitbull. Tanto é que nos USA era possível se registrar um desses cães tanto como american pitbull como staffordshire. O homem através de suas normas estabeleceu desde o início o padrão da raça. Porque ela ficou diferente? Primeiro porque os padrões de beleza ligados à apresentação nas pistas foram os determinantes dessa seleção. Por isso que o temperamento inicialmente bélico foi gradativamente sendo substituído por um temperamento mais social. Isso foi bom para a raça. Mas isso aconteceu quando o propósito foi esse. Há 26 anos atrás, quando comecei a criar lembro que alguns criadores (e eram muito poucos) até participavam de rinhas. Nos USA um cão raivoso que morda o vizinho gera processo. Não era interessante. Na Europa a mesma coisa. Muitas raças de cães apresentam um temperamento forte. Citaria o Rottweiler como exemplo. Essa raça é extremamente mais agressiva com o ser humano que o american. Tanto é que me perguntam se o american seria um bom cão de guarda. O american não tem essa ferocidade. A menos que seja selecionado para isso ou treinado para ser. O american deve ser um cão equilibrado, amigo da família, afetivo, inteligente, destituído de qualquer agressividade com os membros da família e os amigos que estão junto. Por outro lado quando está sozinho cuidando do território ele reage aos intrusos pois sabe que não são benvindos. Quando alguém me pergunta como é o temperamento do american eu respondo com uma constatação: já enviei americans para todos os estados do Brasil e alguns países. Talvez tenha enviado 1000 americans. Então tenho uma casuística significativa. E quantos atacaram alguém. Nenhum. Duvido que os criadores de Rottweiler ou de Poodle tenham essa casuistiva maravilhosa. Atacar não é dar uma mordida. O cão pode morder em situações especiais. Minha esposa um dia foi mordida na mão. Mas ela fez tudo que poderia ser feito para que isso acontecesse. Separou a Kaballa naquela noite dos seus filhotes. Um deles chorou de madrugada. Ela pegou o filhote e caminhou no meio da noite com o filhote chorando. A Kaballa mordeu a mão e soltou. Queria proteger a cria. São situações muito especiais e particulares. Em compensação eu já fiz de tudo nesses anos com os americans e nunca me tocaram. Dependendo da educação que qualquer cão recebe pode ocorrer um acidente. Mas isso é extremamente raro. Meus filhos subiam em cima dos americans, davam tapa, puxavam as orelhas, rolavam no chão e nada acontecia. Mas algo preciso dizer. Eu seleciono pelo temperamento há 26 anos. Estrutura, beleza e temperamento. O que é belo? Existem variantes dentro do que se entende por belo. Um american compacto, pequeno e forte como nos primórdios possui sua beleza. Mas um juiz pode dizer: bem típico! Mas não dar o prêmio para ele. Outro poderá dar. Um esguio, elegante e que se apresenta bem poderá ser belo para muitos. Vencer mas não agradar aqueles que gostam de um exemplar bem forte. Eu aprecio americans fortes e que sejam corajosos sem perder a lealdade e afetividade.  Isso contece em todas as ninhadas em proporções diferentes. Mas sempre foram meus focos. Estou sempre observando, fazendo experiências e procurando manter um esqueleto. Nesse esqueleto é preciso manter varias possibilidades genéticas espalhadas num plantel em torno de 40 exemplares. Pelo menos para mim funciona assim. É o meu método. Sei como recuperar uma geração do passado através de cruzamentos se desejar. Isso me dá uma sensação de maior preservação da raça e não me entregar totalmente a modismos. Mesmo que vista uma camisa de seda mantenho minha camiseta dos Beatles numa gaveta. Tem um filme chamado "o violinista no telhado". Parece até que ganhou umas 5 estatuetas do Oscar há muitos anos atrás. Numa das canções um velho judeu de uma aldeia canta uma canção em que grita: Tradition! E eu dou valor à tradição. Valorizar as raízes. A sociedade de consumo nos condiciona a trocar tudo por algo mais moderno, mais recente e convidativamente "melhor". O american de verdade é um disco de vinil. Muitos americans que vemos nas exposições são CDs.


  • 19 de Janeiro de 2018
  • A entrega dos cães no aeroporto

A minha esposa se chama Ida. É ela que leva os cães para o aeroporto. Faz toda essa logística de reservar, comunicar os horários para os clientes, ver a caixa de transporte adequada e tudo que diga respeito aos detalhes do filhote e documentação. Essa noite passada a exigência era estar no aeroporto às 4 horas da madrugada. Isso comumente acontece de ser necessária a entrega pela madrugada. Preocupado com os assaltos e violência na cidade eu penso em ir com ela. Já inclusive fui algumas vezes. Mas ela não quer. Acha que se acontecer alguma coisa deixaremos nossos filhos órfãos. Se tiver que acontecer que seja só com um. A pergunta é porque não vou eu. A Ida é formada e pós-graduada em administração. Trabalhou anos dirigindo algumas empresas. Aquilo que para mim é um entrave para ela não é nada. Ela seria uma american equilibrada, afetiva e inteligente. Sempre leva uma caixa de bombons, lanche ou refrigerante para o pessoal que lá trabalha. Todos a atendem bem. Eu seria um american de pavio curto. Qualquer dificuldade que fira minha lógica me gera stress e sou capaz de latir e estarei pronto até para morder. Porque? É difícil não ocorrer algo que me estresse nessas ocasiões. Principalmente se sou eu que vou. Vou contar um exemplo. Uma vez recebi um cão do RJ que havia deixado com um amigo para que levasse em exposição. Mas deu briga entre essa fêmea e outras duas e o meu amigo se estressou e a moça voltou antes da hora. Não se pode deixar 3 fêmeas adultas juntas que não tenham se socializado desde cedo sem correr o risco de um desentendimento. Eu que sei lidar com um conflito desses tiro de letra mas uma pessoa que não esteja acostumada fica abalada. Eu recebi essa fêmea no aeroporto. Tudo perfeito. Dias depois eu cheguei nesse mesmo aeroporto, no terminal da TAM e levei um outro cão que havia sido adquirido e para viajar nessa mesma caixa. Pois bem. O rapaz me disse: o cão não poderá viajar nessa caixa. Porque? - indaguei eu. Porque a porta da caixa está desgastada e não oferece segurança. Mas essa caixa veio pela mesma TAM  há uma semana atrás repliquei. Mas o fato de nossos colegas terem errado lá no RJ não significa que tenhamos que fazer o mesmo. Mas se eu não enviar, a pessoa que já saiu de sua cidade do interior para buscar na capital perderá a viagem. O que eu vou dizer para ela? Lamento falou o rapaz. Bem, nessa altura a minha pressão arterial deveria já estar em 160/110 imaginando um esfignomanômetro intuitivo. Por gentileza, me chame o seu chefe. Ele não gostou mas chamou. Deve ter relatado tudo para esse chefe porque ele só olhou para mim e repetiu tudo que o burocrata zeloso havia dito. Eu baixei a cabeça resignado, comecei a carregar a caixa grande desse american adulto auxiliado pelo burocrata que agora se sentia sadicamente feliz e, quando estava próximo do meu carro, a claridade da Lua iluminando a noite, subitamente acorda o meu american íntimo de seu sono. Eu pensei: espera aí. Eses caras estragaram a minha noite. Tive que vir da minha casa a noite transitando uns 45 minutos. Mais o tempo que fiquei aqui. Vou voltar para casa com o rabo no meio das pernas e o rapaz que está na estrada receberá a notícia por mim que deverá retornar. Não! Eles estragaram a nossa noite. Eu vou estragar a deles. Pedi para o rapaz me ajudar a voltar. Pedi que chamassem o chefe novamente. Me responderam que estaria numa reunião. Insisti que era urgente. O chefe apareceu. Nessa altura minha pressão deveria estar beirando as alturas e uma fumaça indígena perfumando a mata. Seu olhar veio ao encontro do meu e seu semblante não era simpático. Eu disse para ele: se essa caixa veio do RJ há uma semana pela sua empresa é sinal que de perigosa ela não tem nada. O senhor acha que aqueles engates de plástico que costumam colocar nas caixas por medida de segurança já não daria total certeza de que o cão não poderia abrir? Ele disse que se o cão abrir a porta poderia colocar em risco pessoas e que esses animais podem ser perigosos. Daí eu abri a porta da caixa e soltei a fêmea. O local estava cheio de pessoas. O homem se apavorou e disse para eu guardar o animal. Eu gritei para todo mundo ouvir: o perigoso aqui é o senhor pela sua parcialidade e incompetência. Eu só vou guardar a fêmea quando o senhor  resolver esse problema. Pode chamar a polícia. Eu vou lhe processar e a companhia aérea junto por terem um peso e duas medidas. Criado um clima psicótico em frente ao balcão o chefe resolveu permitir a viagem da doce american taxada de perigosa. Me despedi e conclui que só a Ida deve entregar os cães para viajarem. Com ela isso não acontece. Ela teria voltado para casa e me dito: isso acontece, amanhã compro outra caixa. Mas isso não teria acontecido com ela. O pessoal trata melhor as mulheres. Mas não sabiam que dentro de mim existe um american. Um bom american não pode colocar o rabo entre as pernas. É preciso ter coragem nessa vida para enfrentar as injustiças. Certas pessoas não querem nos ajudar, facilitar as coisas ou se colocar no nosso lugar. O sadismo existe em nossa sociedade e a falta de humanidade percebemos diariamente. Mas não podemos permitir, dentro do nosso alcance, que isso aconteça.


  • 14 de Janeiro de 2018
  • Imprevisibilidade da vida

Existe um encanto amedrontador na imprevisibilidade da vida. Se por um lado as múltiplas possibilidades não deixam a vida se tornar rotineira, desde que trabalhemos para isso, a sapiência de que tanto o bom como o mal possam acontecer nos deixam por vezes numa sensação de muita insegurança. Nesse momento estou sofrendo com a piora da minha voz. Na verdade do meu fôlego. O ar está passando apenas 30% pela traquéia. É uma estenose severa consequente das sequelas daquele período em que fiquei entubado. O cirurgião que ia me operar sofreu infarto essa semana. Estou aguardando a sua recuperação para essa cirurgia delicada. Quando eu acompanho os filhotes nascendo e percebo a chama dos olhos da vida na expressão das mães americans. Quando me atento aos olhos dos filhos de sangue mirando os meus. Quando eu noto esse fio indelével, inefável e sutil da verdadeira vida pulsando nas correntes da existência sinto algo indescritível. Surge uma paz mesclada com ansiedade. Amar não é só calmaria. Viver é caminhar numa corda dourada que nos aponta para um paraíso distante enquanto nossos olhos serpenteiam o precipício. Somos um pequeno barco nas culminâncias gigantescas dos mares e devemos estar preparados para os grandes ventos. Fazemos planos mas tudo se dissipa como os grãos de areia após uma tempestade. Por isso creio que nossa força resida no coletivo e nossa imortalidade existe na perpetuação da espécie. Tu sou eu e a vida flui em nós e independente de nós. Dessa forma todos somos responsáveis pelo que acontece na humanidade. Pois somos unos. O que acontece com um acontece com todos pois fazemos parte desse macrocorpo que é a humanidade. Só quando o homem descobrir que somos irmãos nessa mãe Terra e vivermos com fraternidade é que encontraremos a verdadeira paz nessa imprevisível vida. 


  • 18 de Dezembro de 2017
  • O que esperamos do nosso american...

Quando nós vemos um american podemos nos concentrar em algum ponto de seu fenótipo. Seria como quando um homem olha uma mulher. Podemos nos fixarmos no rosto, em sua cabeça, na cor dos cabelos, nos seios, na cintura, nas pernas, na altura e assim por diante. A mulher, da mesma maneira fixará o olhar em pontos que a agradam, a altura, o físico de atleta, a elegância, o cabelo curto ou comprido, a barba, a voz grave e assim por diante. Um amigo meu me disse um dia que a parte mais importante que conquista uma mulher é a voz, a palavra, o jeito do homem se expressar. A mulher se conquista pela voz e o homem pela beleza. Esse meu amigo era bruxo, ou melhor dizendo mago. Eu o conheci há uns 25 anos e nunca mais o vi. Chegou até a escrever um livro sobre magia branca. Uma vez uma enfermeira numa unidade de hemodiálise em que eu trabalhava como nefrologista me falou: - adoro homens com barriga grande e bigode grosso. Isso me fez concluir que qualquer homem ou mulher, independentemente de sua aparência encontrará alguém que se apaixonará por ele ou ela.  Mas existe um padrão de beleza estabelecido pelo ser humano. Num concurso de miss as mulheres precisam ter certas medidas e uma forma de desfilarem. Já os homens costumam disputar mais os concursos que envolvem massa muscular ou lutas. Embora as mulheres também tenham entrado nesse espaço. Já concurso de beleza masculina eu nunca vi. Creio que nem deva existir.

Fazendo uma analogia, o american pode ser visto de muitas formas dependendo do local que os nossos olhos e mente foquem. Existe aquele que gosta de saber a medida da cabeça. Quanto maior a cabeça mais ele gosta do cão. Outro gosta que ele seja grande, outro que seja compacto. Alguns se prendem na cor e outros no temperamento. O que delimita as características ideais de uma raça é o padrão que está escrito nos registros da Federação Cinológica Internacional. O American Staffordshire Terrier teve seus primeiros registros referentes aos seus padrões quando a raça foi reconhecida pelo AKC dos USA em 1936. Lendo o padrão lá escrito e que norteou as bases aceitas pela FCI e que podem também ser observadas nos registros da CBKC vemos que existe um american de verdade e que transcende gostos pessoais. Mas nenhuma raça consegue se manter igual no decorrer dos anos. Surgem variáveis que podem ser aceitas ou não pelos juízes nas exposições. Seja como for a existência de um padrão específico rígido pode fazer com que excelentes exemplares sejam crucificados por algum detalhe que fuja um pouco do padrão. Exemplo: um cão maravilhoso não possui um dorso excelente; outro apresenta despigmentação nas pálpebras; outro não tem os aprumos corretos; outro possui uma cauda que se eleva e dobra; outro tem a cabeça leve; outro não desfila bem e com alegria ou não se movimenta adequadamente; outro é pouco angulado; outro tem mais branco do que devia e assim por diante. 

Por isso, quando alguém faz contato comigo eu faço algumas perguntas. Meu desejo é agradar o cão, o dono e a mim. Para agradar o dono definitivo eu preciso auscultar seus anseios e vislumbrar seu perfil. Saber o que ele deseja. Preciso satisfazer seu desejo. Para agradar o cão preciso saber para onde êle irá e se o ambiente tem perspectiva de deixá-lo feliz. E a mim tendo o feed back positivo de que tudo correu bem.

Como meu plantel é grande e conheço as linhas de sangue e potencialidades de cada cruzamento eu consigo dizer que esse ou aquele cruzamento ou cão é potencialmente um vencedor em exposições. A maioria das pessoas não deseja um american para exposições. Creio que o motivo principal para isso é saber que seria um processo que envolve tempo, gastos e anseios ligados à vaidade. A maioria deseja um cão que agrade seus olhos e coração. Seja um companheiro agradável para fazer parte da família e enriquecer a existência. Isso é muito bom. Prefiro que sejam assim as pessoas que me procurem. Porque aquele que só pensa em exposições não se importa de deixar o cão trancafiado horas e horas numa caixa de transporte aguardando a hora de desfilar. Nem que fique horas e horas dentro de uma caixa no carro para viajar nessas competições. Eu já vi um handler fazer um cão cheirar um pouco de cocaína para ficar bem aceso na hora do desfile. Não preciso dizer que esse handler fazia o mesmo. Isso foi há alguns anos atrás quando disputei rankings.

Finalizando, eu creio que precisemos fazer um filtro e definirmos nossas prioridades com nossos anseios na hora de escolher um american. Na minha concepção os pontos que eu mais valorizo são os seguintes:

a) ser forte, proporcional e me chamar atenção pela sua beleza (aí vem um dado pessoal do que é beleza para cada um de nós - eu tenho meus padrões que podem ser vistos nos americans que fazem parte agora, no passado e no futuro em meu plantel);

b) ser alegre e comunicativo; não demonstrar medo e nem ser agressivo; não querer agredir qualquer pessoa que esteja comigo visitando o canil ou minha família; de preferência nem latir nessas horas (e é o que acontece aqui); cuidar da casa ao ser solto protegendo o território; demonstrar afeto e respeito; ser inteligente;

c) conhecer o que existe nas gerações passadas dos meus cães pois notei nesses 26 anos que crio como detalhes de temperamento e comportamento são suscetíveis de serem transmitidos. Por isso é importante na hora de cruzar um excelente exemplar que é um pouco tímido com um outro que possui um temperamento oposto. Assim equilibramos a ninhada. Um exemplar que é excelente mas os seus aprumos não me agradem escolher outro com aprumos perfeitos. E se os dois são perfeitos aos nossos olhos melhor ainda. As vezes precisamos experimentar sem saber o que acontecerá. Isso vale mormente nos cruzamentos totalmente abertos (outcross). Mas depois de realizados precisamos observar os resultados e assim somar experiências. Dois cães extremamente ativos quando pareados podem gerar exemplares hiperativos. Isso pode ser algo desejável para certas pessoas. Seja como for as variantes me estimulam e tornam a criação apaixonante. Eu fico triste quando não vejo filhotes. Algo está faltando.

Bem, agora sim terminando, eu diria que a raça é apaixonante e devemos olhar os exemplares da raça e decidirmos o que nós queremos desse futuro amigo ou amiga e irmos em direção de nosso sonho. Porque do mesmo modo que existe um homem ou mulher esperando por nós nessa vida também existe um american pronto para participar dos nossos melhores momentos.

 


  • 17 de Dezembro de 2017
  • Final do ano!

O final do ano através do Natal já se identifica como um oásis próximo e logo adiante um outro semelhante chamado de Ano Nôvo. Nossa sede de socorro espiritual ou de experiências afetivas, transcedentais ou materiais nos remete a essas datas ansiosos pela saciedade. São datas emblemáricas e míticas. Tocam nossas memórias mais recônditas. Geram alegrias e melancolias dependendo de como foram nossas experiências na infância e como estão nossos sonhos. Datas simbólicas criadas pelo homem como tantas outras. Geramos ídolos, deuses, comemorações e toda a sorte de arquétipos e assim nossas vidas são preenchidas por significados. Mas nossa mente precisa se esvaziar de todos os condicionamentos, de todas os preconceitos, de tudo o que se interpreta com certo e errado, de tudo o que se entende como verdade e inverdade. para no silêncio do ato de pensar, termos o momento mágico de vislumbrarmos o presente, a experiência única e individual de sermos o observador e a coisa observada, unos na experiência vital e soberanos para mergulharmos com todas as nossas potencialidades na imensidão do oceano de possibilidades.

Isso que desejo para mim e para os que amo. Que nossa mente voe como águia, atinja os picos mais elevados do entendimento e desafie os grandes ventos.


  • 19 de Novembro de 2017
  • Chasing Trane

Muitos devem ter Netflix. Caso tenham procurem o documentário que tem o nome desse diário. É sobre a vida do músico John Coltrane. É imperdível. Saímos transformados ou extremamente tocados pelo documentário. Principalmente se amarmos a música e se formos tocados pelo que é profundo e importante nessa vida. Meu dia de hoje terminou melhor depois de ver esse documentário. São 22:17h agora. Vou tomar banho e me deitar. Quero guardar o resto do dia para pensar em certas partes do filme e amanhã comprarei mais discos desse gênio do jazz. Eu só tenho um disco dele. É de vinil e comprei em Paris no ano passado. Bem, mas isso pouco importa agora pois sua música transcende qualquer lugar do planeta e funde o homem a Deus que é o Ser Supremo. Descobrir esse caminho talvez seja nosso maior desafio.


  • 11 de Outubro de 2017
  • O maior e melhor presente.

Possuir um animal de estimação é uma alegria e uma responsabilidade. Ele nos propicia momentos maravilhosos. Para uma criança não existe melhor presente. A interação que existe entre uma criança e um american possibilita um fortalecimento do ego pois a criança passa a entender e sentir que existe um ser que está sempre pronto para brincar, trocar experiências vitais, afetivas e físicas sem exigir nada em troca do ponto de vista material ou egocêntrico. A moeda de troca é o amor. Como na sociedade materialista e consumista nós aprendemos a sermos mais frios e calculistas para sobrevivermos, essa experiência da criança possibilitará que ela possa mais tarde ter as bases, juntamente com o amor recebido dos pais, de ser mais humanizada e crente na raça humana. O cão que por centenas de anos conviveu com o homem passou a ser o animal mais próximo dele. Nós somos muitas vezes solitários diante dos nossos problemas. E um cão parece sentir muitas vezes, através de atos não verbais, que estamos precisando de afagos e ele retribui tudo o que damos para êle. Se queres dar um presente para uma criança, o melhor presente desse mundo, ofereça um cão. Ele nunca mais esquecerá e com absoluta certeza essa experiência mudará o seu íntimo.

Principalmente porque na vida moderna os pais precisam trabalhar fora e não oferecem a atenção ideal para seus filhos. E os amigos ou amigas são efêmeros pois dificilmente perseveram em suas presenças e sentimentos. Um cão é de fidelidade e sentimentos eternos. Só nos abandonam com a inevitável morte. E até nos últimos momentos nos olham com semblante triste por nos deixar.


  • 30 de Agosto de 2017
  • Evolução dos Filhotes e Filosofia de Criar

Um criador que tenha 3 fêmeas e um macho costuma ter uma ou duas ninhadas por ano. Suas experiências para observar resultados de cruzamentos, caso isso o motive, demoram anos para ocorrerem pois seu material de estudo é pequeno. Para abreviar esse tempo seriam necessários mais cruzamentos. Mas isso implica em ter mais exemplares. Isso implica em mais trabalho e gastos. Se queremos que as ninhadas sejam ótimas não podemos esperar a hora da fêmea engravidar para oferecer uma ótima alimentação. Esses cuidados devem ocorrer durante a vida inteira dessa fêmea. Uma ração superpremium de alta qualidade é despendiosa. Mas se temos 3 cães fica mais viável. Eu não consigo me imaginar sendo um criador de 3 ou 4 cães. Seria um mini criador com mini resultados e mini conclusões. Seria mais fácil pois se cruzarmos cães de qualidade sempre com o mesmo padreador teremos resultados semelhantes. Levando em exposições conquistaremos títulos e nos sentiremos satisfeitos. Nosso universo será sempre igual e com raros riscos. Quem sobe sempre a mesma montanha tem seu mérito. Mas um grande alpinista não se contenta com apenas uma montanha e nem escala a mesma montanha pelo mesmo caminho. Procura outras opções. Isso se chama procurar desafios, novas experiências que enriquecem a existência. Por isso meu plantel sempre foi grande. Agora é de 31 americans. Considerando as fêmeas que entram no cio e não cruzo pois não posso ter tantas ninhadas ao mesmo tempo acabo deixando machos e fêmeas um tempo ociosos causando apenas gastos e trabalho para cuidar e propiciar uma boa qualidade de vida aos mesmos. Mas é o preço que pago para poder cruzar com quem desejo num plantel fechado pois não busco nada fora na hora do cruzamento. Já tem que estar aqui comigo para eu ter observado o comportamento, as qualidades e defeitos. Qualquer linha de sangue que me interesse eu importo pontualmente num dado momento e trabalho com a mesma usando meu esqueleto genético, cães específicos visando melhorar algo nesse ou naquele american ou observando o que irá acontecer. Essa variedade de possibilidades é o que me enriquece como criador. Tocar sempre rock no meu aparelho não me agrada. Por isso posso ouvir Led Zeppelin e num outro momento Mozart. Isso não significa que não tenha minhas preferências. E eu tenho minhas preferências em relação ao american. 

Nesse momento percebi dois cruzamentos em particular que geraram americans muito compactos, de estrutura e com cabeças pesadas. Essa característica eu fixei depois de algumas gerações que resultou no Hunter que infelizmente faleceu de cancer de tireóide. Nunca houve essa patologia com algum american que tenha visto mas está registrado como de prevalência inferior a 5% na população canina. E as doenças ocorrem nos cães da mesma forma que nos seres humanos. Vivemos numa lotérica ao avesso diariamente esperando não sermos sorteados. Mas voltando ao foco: com o Hunter, ao cruzar com uma irmã do Excalibur percebi que os seis machos que nasceram são semelhantes nessa característica física. E num outro cruzamento com um casal que um amigo adquiriu de mim e que cruzou apareceram também americans menores, muito fortes e com cabeças semelhantes. Qual foi a conclusão? Numa faixa seletiva obtive um padrão que desejo fixar que seriam americans semelhantes aos bullies mas sem aqueles inconvenientes do exagero que certamente ocorreu pelo uso de bulldogs em muitos desses cruzamentos. Eu cheguei a um resultado que só ocorre com o tempo pois as raças não surgiram num dia. Pretendo, se conseguir esse intento, manter o processo seletivo normal que faço buscando estrutura e temperamentos equilibrados objetivando o standard da raça na imensa maioria dos casos mas com uma tipologia digamos assim New Kraftfeld pois possuem meu trabalho inevitável depois de 26 anos escolhendo cruzamentos, mas paralelamente teria um outro american menor, forte e correto para ser uma opção para muitos que desejam um cão com essas características sem deixar de ser um atleta, um companheiro de jornadas e até mais afeito a espaços menores como de um apartamento.

Essa idéia está apenas em sua fase inicial e verei como evoluirá. 

Nesse momento estou com mais filhotes pois além das ninhadas que tive surgiram 3 ninhadas de amigos que cruzaram com machos meus em parceria. Por iniciativa deles e a minha conivência. esses filhotes foram entregues para mim cedo e eu fiquei sobrecarregado. Mas é uma situação momentânea. E tem suas compensações. Em uma delas surgiram os filhos do Hunter e na outra o casal que gerou os americans que falei. Essas experiências enriquecem a criação.

Ia falar sobre pessoas que conheci recentemente que adquiram americans nossos e que gostei de conhecer mas vou deixar para outro momento. Conhecer pessoas é minha outra grande alegria. Principalmente pessoas boas, amigas e que vibram com a minha alegria. Triste é ver a inveja e a maledicência dos involuídos que sofrem com o sucesso dos outros. Mas como diria Buda nós criamos o nosso destino. E quem deseja mal planta a maldade dentro de si próprias e o mal destrói o mal. O preço da maldade é a autodestruição. Por isso devemos torcer para que todos sejam felizes e terem sucesso! 

Não esquecendo a Spartha está grávida do Steppenwolf (primeira vez que faço esse cruzamento) e a Seattle teve filhotes essa semana com o Excalibur (repeti esse cruzamento maravilhoso que gerou a Cherokee que está no meu plantel em matrizes). Eu coloquei o nome Seattle em nome de grandes musicos que lá surgiram. Entre eles o Jimi Hendrix, a banda Spirit, o Nirvana, o Foo Fighters, o Pearl Jam, o Sounsgarden e assim por diante. Creio que todos esses ou a maioria seja de lá. 

Best Regards!