Diário Canino

Esta seção terá notícias mais objetivas sobre assuntos ligados ao Canil New Kraftfeld.

  • 22 de Novembro de 2021
  • Vanity, my favorite sin!

Toda vez que acontece uma exposição eu sinto uma sensação de nostalgia pois na época que participava das mesmas meus americans ficavam sempre em evidência e conquistava titulações. Tive que engolir muitos sapos, me estressar, gastar bastante e assim conquistar 6 anos o título de melhor criador do Brasil. Como me afastei a sensação superficial de quem é leigo é que não esteja vencendo por não mais ter qualidade para competir. Enorme engano se assim pensarem. Mas a única razão de não estar vencendo é porque não estou participando. Não estou mais competindo. Não consegui ainda ter vontade de retornar. Numa época em que as pessoas estão mais preocupadas com a cor dos americans do que com seus predicados, as marquinhas aqui ou ali do branquinho do que com os atributos genéticos, de temperamento, de drive, de equilíbrio, de conformidade, etc... porque investir para tornar Grande Campeão um american para depois ouvir dizer que na verdade não seria a cor que o cliente deseja. Ter filhos dele não seriam tão desejados.

Não criamos apenas para nós. O homem não é único e sozinho na sociedade. Existe uma interação. Somos um todo. E o investimento em viagens, inscrições e pagamentos de handlers para dar titulação para os cães e enriquecer as sociedades cinófilas não me apetecem em tempos em que sabemos que o dinheiro não cai do céu. Esses valores posso usar para pagar uma ração de qualidade superpremium para todos os meus 30 americans. Oferecer o melhor que posso para eles. Eles me agradecem pois tenho certeza que não gostam de ficarem presos em caixas de transporte esperando para desfilarem nas exposições. Interessante que eu que fui o que mais venceu rankings sou agora o que menos se interessa nessas titulações. Mas se permanecesse a vida inteira nessa obsessão por títulos significaria que minha sanidade estaria comprometida. Talvez tenha amadurecido. 

Mesmo assim confesso que sinto alguma saudade. Talvez por certa vaidade. Lembro do filme Advogado do Diabo. No final do mesmo, quando o diabo consegue ludibriar um advogado tocando em uma de suas fraquezas ele falou: vaidade, meu pecado favorito!


  • 13 de Setembro de 2021
  • Depois de belas ninhadas o que dizer? 30 anos criando.

Foi um período de belas e numerosas ninhadas que geraram muito trabalho e despesas. Não gosto de ter ninhadas num número maior do que planejo mas acidentes as vezes acontecem. As vezes fico um período sem filhotes e as vezes tenho num número maior do que o planejado. Se duas ninhadas planejadas não dão certo ou se só nasce uma ninhada das duas programadas e sobrevivem apenas dois filhotes fico sem filhotes. O que me frustra. Acabo preferindo ter mais para que não falte. Mas não existe outra forma de ver a criação. Ou nos atiramos de corpo inteiro ou não geramos gerações de americans que perpetuam a espécie. Quanto mais americans New Kraftfeld forem entregues mais meu trabalho de seleção faz sentido e influencia as gerações vindouras.

Estrutura, beleza e temperamento confiável. Essa é a minha meta sempre. Desculpe ter me ausentado nesse espaço do diário canino por alguns meses. Estava em função. 

Estamos agora reformando os canis. Mas a chuva tem atrapalhado. Mas entre a primavera e o verão creio que estaremos prontos. O tempo desgasta tudo e precisamos reformar e manter. 

Estava conversando com meu filho de 21 anos sobre alguns americans do passado e ele me perguntou: mas eu já havia nascido? Daí me dei conta que esses americans remontavam de épocas que eu nem havia pensado em ter um novo filho. Estava ainda separado do meu primeiro casamento. No princípio do segundo casamento que ainda dura 30 anos. São cinco filhos de dois casamentos. Creio ter algum sangue árabe.

Mas, voltando aos americans, lembrei de 3 americans que foram meus primeiros exemplares e que não esqueço das histórias que eles geraram na minha memória.

Desde 1991 já entreguei mais de mil americans. Tres décadas criando a raça. Nunca imaginei que ficasse tanto tempo envolvido com uma raça de cães. O american mudou a minha vida. Assim como os Beatles na minha adolescência. Não sei quanto tempo ainda criarei. Certas raças tiveram um boom que durou alguns anos e depois sumiram de interesse. Algumas raças que foram moda sumiram. Restaram poucos criadores. O interesse pelo American ocorreu na sequência no Pitbull por se entender que seria uma evolução do mesmo. Mas o comércio das raças torna as raças comuns e isso mina o mercado e acaba explodindo o interesse daqueles que criam apenas pelo dinheiro. Na verdade quem faz isso não é criador. É um cruzador! Essas pessoas pegam a raça como um pano molhado, apertam e torcem e quando não existe mais água jogam o pano fora. O mercado gerou variantes do american, como por exemplo o Bully ou a variante do pitbull chamada Monster. O ser humano é criativo e busca variantes. Mas essas variantes são estéticas e não funcionais.

Sou fiel ao American Staffordshire Terrier que considero em suas bases um cão perfeito. Eu os amo e estarei sempre em dívida com eles pois recebi mais do que dei. Talvez não porque a semana inteira estamos envolvidos com eles. Seja como for é uma grande aliança. Me manterei nesse mesmo propósito e ideal até um dia parar. Mas, quando esse dia chegar terei a consciência de que fui coerente.


  • 06 de Outubro de 2020
  • Ninhada da Phoenix com o Steppenwolf

Só quem cria que sabe como passamos por momentos difíceis. Nasceram 6 filhotes. Tres eu vi mortos. Um vi nascer morto e duas estavam vivas até ontem. Ela não cuidou bem. Lamentável. A ninhada estaria toda reservada. Fiz mais cruzamentos mas só revelarei após o nascimento. Vamos nos proteger desta vez. Como dizia um: não acredito em bruxas mas que existem existem...


  • 19 de Setembro de 2020
  • O mais altruista dos amigos

 

.. O mais altruísta dos amigos que um homem pode ter neste mundo egoísta, aquele que nunca o abandona e nunca mostra ingratidão ou deslealdade, é o cão”.
“Senhores Jurados o cão permanece com seu dono na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença. Ele dormirá no chão frio, onde os ventos invernais sopram e a neve se lança impetuosamente. Quando só ele estiver ao lado de seu dono, ele beijará a mão que não tem alimento a oferecer, ele lamberá as feridas e as dores que aparecem nos encontros com a violência do mundo. Ele guarda o sono de seu pobre dono como se fosse um príncipe. Quando a riqueza desaparece e a reputação se despedaça, ele é constante em seu amor como o sol na sua jornada através do firmamento. Se a fortuna arrasta o dono para o exílio, o desamparo e o desabrigo, o cão fiel pede o privilégio maior de acompanhá-lo, para protegê-lo contra o perigo, para lutar contra seus inimigos. E quando a última cena se apresenta, a morte o leva em seus braços e seu corpo é deixado na laje fria, não importa que todos os amigos sigam seu caminho: lá ao lado de sua sepultura se encontrará seu nobre cão, a cabeça entre as patas, os olhos tristes mas em atenta observação, fé e confiança mesmo à morte."

Este tributo foi apresentado ao júri pelo ex-senador George Vest, que representou o proprietário de um cão morto a tiros, propositadamente pelo vizinho. O fato ocorreu há 1 século na cidade de Warrensburg, nos USA. O senador ganhou o caso e hoje existe uma estatua do cão na cidade e seu discurso está inscrito na entrada do tribunal de justiça.


  • 04 de Setembro de 2020
  • MEMORIAL

Iniciei meu Memorial. Podem ler clicando em Plantel.

Será um resumo da minha criação citando os americans mais importantes do meu trabalho como criador desde o início. Semanalmente colocarei um ou mais cães. Para quem curte a raça vale a pena! Eu custei a iniciar porque me era complicado rememorar temas e vivências que me eram dolorosas, mesmo misturadas como alegrias. Ao ver fotos e pensar sobre os americans que não estão mais aqui e recordar o sofrimento de muitos naqueles instantes finais geram tristeza profunda.

Mas superei essa sensação pensando em me concentrar no que de bom deixaram em minhas lembranças e de que escrevendo estou enaltecendo suas vidas e dando importância a seus legados.

Depois de completar todas as homenagens será possivel delinear um arcabouço ou uma coluna vertebral do meu trabalho nesses anos em termos de saltos ou em termos de manutenção de bases genéticas que julguei importantes.

Um trabalho de criação é um reflexo do que se passa na mente do criador e de seus pensamentos e intuições. Seus planos, preferências e ousadias. Não se analisa um trabalho de criação apenas por duas ou tres ninhadas. da mesma maneira que não se julga qualquer trabalho importante. Depois de tres décadas criando a raça American Staffordshire Terrier olho meu passado e entendo o presente. Uma jornada que tomou metade da minha existência até agora. Não sei ainda quanto tempo criarei mas sei que fiz a minha parte em prol da raça. E me orgulho disso. Ser uma ponte que permite que haja alegria nos corações de tantas famílias ou pessoas solitárias que passam a ter um companheiro fiel nos gera muita alegria e recompensa. É um trabalho de segunda a segunda. Muito compromisso ter 30 americans e mais filhotes para cuidar todos os dias. Um colega médico outro dia me indagou como podemos ter tanta perseverança. De fato, a imensa maioria desiste no meio do caminho.

Quando recebemos as mensagens, fotos e vídeos de pessoas espalhadas pelo Brasil mostrando momentos com os americans que enviamos sentimos e recebemos o estímulo para perseverarmos. Como aconteceu esta semana. Vejam o vídeo:

https://www.instagram.com/p/CFDUFhsA-PV/


  • 09 de Agosto de 2020
  • A arte de criar e as perspectivas para a raça!

O American Staffordshire Terrier é um guerreiro desde as suas origens. Um fiel seguidor dos desejos do homem. Sejam nobres ou sejam escusos. Os princípios morais foram criados pelo homem. Não existe normalidade ética inerente à natureza. Apenas um complexo e fantástico processo de preservação e evolução da espécie. Nessa relação do lôbo e depois do cão com o homem ocorreram simbioses mentais, adaptações e relações de cumplicidade e troca de favores. Condicionamentos que remontam dos primórdios da humanidade.

Nos estertores do século 19 a rinha entre cães e touros era um divertimento entre nobres e entre homens da escória social também. Nessa seleção maldita que visava o sangue surgiu o PITBULL. Muitas lutas ocorreram até que o Parlamento Inglês as proibiu. Mas o homem esperto encontrou uma maneira mais sorrateira  de praticar de forma escondida. Em espaços clandestinos surgiram as rinhas entre cães. Esse cão não se importou em se mutilar ou morrer por aquela meta que o homem determinou para ele nas trevas da consciência. As orelhas eram cortadas porque o inimigo (o outro cão) poderia morder facilmente a orelha que sangraria muito e atrapalharia no combate. Aquele animal era amigo do homem mas selvagem com os cães do ringue. Trancafiavam-o dentro de espaços fechados sem luz e davam carne de cão para comerem. Não podiam ver o sangue de outro cão. Era um cão fruto da insanidade humana.

Mas na alma daquele pitbull existia um anjo adormecido e trancafiado. Não via a luz do sol. A beleza da vida e do afeto. Foi-lhe negada a vida de relação e sua prisão cruel enalteceu a desumanidade contra seus semelhantes. No início do século XX aqueles cães que migravam para os USA já não participavam de rinhas clandestinas mas estavam já condicionados. Seus gens pareciam ter armas e reações Pavlovianas para brigarem até a morte do inimigo. Em 1898, Chauncy Bennet formou o UKC, uma entidade ou clube destinado exclusivamente ao registro e aceitação de pit bulls. Como o AKC não os aceitava ele criou um clube paralelo. Ele acreditou na raça, tinha fé e percepção que aquela coragem e fidelidade dentro de um animal compacto e com uma força e musculatura maior do que o espaço - nessa concentração se escondia uma jóia. 

Depois de muitas seleções e nobres vitórias da perseverança em 1936 o American Kennel Club aceitou o Pitbull. Mas estabeleceu regras de conformidade e cor. E um temperamento aceitável para os shows. Nesse dia nasceu o American Staffordshire Terrier. 

Hoje podemos ver esse excepcional cão brincando com outros cães e com crianças. Foi recuperada a alma do Pitbull que agora é um American Staff. Hoje é um cão corajoso sem ser psicótico. A loucura deu lugar à sanidade. Mas um século de seleções podem sucumbir se permitirmos que não obedeçam a arte de criar e tratem a raça como um cão qualquer para vender no ML a preço de bananas. Não foi isso que Bennet desejou e se esmerou para a raça. E nem eu que seleciono há 28 anos com amor e ciência. Por isso que tenho preconceitos com Americans bullies, bandogs e outros cruzamentos recentes que visam apenas conformidades exageradas ou insanidades agressivas. 

O American Staff deve ser preservado, trabalhado e conhecido. Como uma raça nobre e única. Só assim a teremos para os próximos séculos de forma pura sem as distorções que o homem é capaz de praticar. 


  • 06 de Dezembro de 2019
  • Vais permitir que um branco não te deixe sentar num banco por seres negro?

Se pesquisarmos os padrões das diversas raças que estão definidas em seus países de origem ou na FCI (Federação Cinológica Internacional) leremos aquilo que o ser humano estabeleceu.

Como devam ser as dimensões, a cor dos olhos, a marcação ou as cores do pelo, a predominância ou não de branco, a pigmentação das pálpebras ou da trufa, características de anatomia e estrutura, formas de mordedura e demais detalhes que nas raças tradicionais remontam de décadas. 

O homem estabeleceu que o Bull Terrier pode ser todo branco e o mesmo vale para o Dogo Argentino por exemplo. Mas já para a raça American Staffordshire Terrier isso está proibido. Porque? Pelo mesmo motivo que há poucas décadas atrás era proibida a entrada de pessoas negras em certas escolas dos USA, de sentarem nos ônibus, de usarem banheiros que estavam destinados aos brancos e assim por diante. Até na NASA há 60 anos atrás haviam banheiros para negros. Pelo mesmo motivo que em certos países até hoje é crime ser homossexual ou que a mulher saia na rua sem cobrir o rosto. São preconceitos. No passado a mulher que participasse de concursos de beleza era "fofinha". Hoje as medidas são aferidas em milímetros para serem enxutas. Ou seja, o homem estabelece padrões que devam ser seguidos em todas as áreas.

Isso significa que as raças não devam ter padrões? Que o homem possa individualmente mudar ao seu próprio prazero e decisão como devam ser os cães da raça que cria?

Eu diria o seguinte: se queres competir em fórmula 1 terás que ter o carro com todas as características das normas esportivas. Se queres competir numa exposição canina idem. Mas se teu objetivo é maior poderás customizar teu carro, assim como fazes com tua Harley Davidson. Desta forma, se adoras americans totalmente brancos porque não te-los ou gerá-los. Dentro de 30 anos um americano sentado numa poltrona e tomando um café em New York, na sede do American Kennel Club (que eu visitei) resolve criar uma nova regra e num consenso com a organização resolvem mudar o padrão. Mandam para a FCI e alteram esse detalhe da cor. Pronto: agora pode! E tu que reprimistes durante 30 anos esse desejo perdestes tempo e alegrias.

Falo isso por muitos motivos. Sou especialista na criação da raça American Staffordshire Terrir. Faço isso há 28 anos. Sei que se levar em pista terei que obedecer o padrão. Caso contrário o juís da pista punirá meu cão. Terei que seguir as regras do jogo. Mas tem certos detalhes que deveriam ser mais elásticos até para exposições ou na interpretação do padrão. Mas os juízes não conseguem para evitar conflitos.

O exemplo da cor. Nos primórdios da raça AST não se via american  na cor azul, ou cinza, ou blue. No padrão da raça está escrito que a cor dos olhos deva ser castanha escura. Olhos claros não são bem vistos pelos juízes. O padrão da raça daquela época não previa a cor cinza que gera cães de olhos mais claros comumente. Alguns chegam a ficar até azuis. O que seria penalizado numa exposição. Por outro lado a imensa maioria das pessoas me pergunta: o senhor tem american blue de olhos azuis? Que lindo!!!

Geralmente aquela cor azul vai escurecendo. Não fica azul que nem tantos gostariam e nem escura como os juízes gostariam. Ou seja, o padrão da raça está precisando modificar, ser mais flexível em razão de condições que surgiram com o tempo.

A altura dos americans estava estabelecida que preferencialmente no macho deveria ser de 48,6 cm até a cernelha. Hoje vemos americans com 53 cm até a cernelha desfilando felizes aos olhos dos donos e dos juízes nas exposições de beleza. Aliás esta é outra questão que sempre me debati apesar de ser o criador que mais vezes venceu o Ranking (seis anos em que competi) de beleza. Na minha concepção os americans como também certas raças específicas deveriam competir em exposições que reunissem beleza, temperamento, estrutura e provas físicas. Com o tempo evoluiu na minha mente a idéia de que colocar o american como também certas raças em exposições de beleza seria o mesmo que levar um grande atleta olímpico num desfile de moda. Para ver como ele caminha e corre de forma elegante e verificar se a cor de seus cabelos ou barba combina com suas sapatilhas de balé.

Nessa evolução de possibilidades que podem surgir numa criação observei que num dado momento dos meus cruzamentos apareceu um cão tricolor. Cheguei também a adquirir um cão que era tricolor. Quem me vendeu não me falou que era. Era sutil a presença da terceira cor. Mas gostei das possibilidades genéticas e fiquei. Do mesmo modo que num outro cruzamento surgiu um azul com sutis detalhes da cor TAN nos lados das mandíbulas. Muito sutis. Esse cão em cruzamentos posteriores me gerou alguns americans azuis tricolores. Como sempre tive em torno de 30 americans no plantel e na criação me é apaixonante gerar eventualmente uma variante que me empolgue. São mutações que o padrão original não previa mas que as Leis de Darwin ou da ciência permitem. Se o concurso é de beleza não podemos impedir que uma mulher participe porque seus olhos são azuis. Porque um cão não pode ter olhos azuis ou ser tricolor. Porque o Beagle pode ser tricolor e o american não. Padrões. 

Num dos cruzamentos que realizei há um ano apareceu uma fêmea de olhos azuis que resistiu e, ao contrário de todos os americans azuis que criei, manteve a cor dos olhos bem azuis, muito azuis e irredutivilmente azuis. Não pensei duas vezes. Fiquei com ela. É uma mutação. Mutação se preserva quando é bela ou interessante para uma determinada função. Quando surge uma mutação não devemos olhar um código moral para submeter esse salto a um crivo de qualquer natureza. Não coloquei no site ainda. Fiz um vídeo dela recentemente e coloquei no facebook. Quando colocar no site alguns dirão: está fora do padrão! Imagine um criador tão antigo estimular que se faça algo errado! Acontece que é uma decisão minha. Tenho americans que posso levar em pista na hora que desejar. E tenho americans que são para mim. E aí vem a pergunta: qual a porcentagem das pessoas que ao adquirirem um cão de raça visam levar em exposições? Eu respondo: muito menos de 0,5%

Sendo assim, se uma pessoa me pedir um american para competir em exposições eu sei escolher a dedo um american para ele vencer. Já fiz isso muitas e muitas vezes. Já enviei americans que foram Best in Show e até um que se tornou Campeão Mundial Macho. Mas as tendências nesse mercado de cães para exposições flutua à mercê das influências e marketings. Vários aspectos norteiam os resultados em exposições. Eu sei tudo a respeito. Juro que venceria o ranking todos os anos, ou a maioria deles se desejasse mas teria que investir muito em tempo e dinheiro. Não é a minha prioridade dos tempos atuais.

Mas, voltando aos padrões, como não podemos mudar o que está escrito certamente podemos nos permitir alguns voos independentes como as águias fazem ao desafiarem os grandes ventos. Se queres um american tricolor, de olhos azuis, todo branco ou vermelho e branco, ou de qualquer cor, forte e corajoso, lindo aos teus olhos e companheiro nas tuas jornadas da vida, vais permitir que a cabeça de um juíz, de um padrão humano sobrepuje teus anseios e tua alegria? Vais permitir que um branco não te deixe sentar numa cadeira por seres negro?


  • 23 de Outubro de 2019
  • O encanto do mistério!

Estava atendendo um paciente esta semana que me revelou, na consulta, que apresentava uma dor torácica. Depois de examiná-lo e solicitar alguns exames perguntei qual seria sua atividade profissional. Ele respondeu que seria um programador, formado em Análise de Sistemas. Mas o que me chamou atenção é que paralelamente fazia um trabalho voluntário com drogaditos há 20 anos. Quatro vezes por semana ele dedica parte importante de sua vida para ajudar pessoas.

Enquanto isso, nesse momento que escrevo e medito sobre a transcendência de certas pessoas iluminadas, o Datena vocifera relatando que um rapaz de 18 anos sem carteira de motorista atravessa a pista contrária, em alta velocidade e mata um motociclista de 27 anos que voltava do trabalho. Logo em seguida relata que prenderam um pai que estava foragido por ter abusado sexualmente de sua filha adolescente. Segundos depois um rapaz matou uma pessoa para furtar e mais outros relatos sórdidos, perversos e desumanos. E o TSF discute se vota a favor ou contra a prisão em 2a instância. Alguns países mais evoluídos prendem em 1a instância.

O que isso tem a ver com os americans? 

Existe uma diferença monumental nos comportamentos e níveis de evolução entre os seres humanos. Genética, experiências pessoais e do ambiente geram pessoas diferentes. O mesmo acontece com os cães e, no caso os americans. Num nível diferente, mais atávico e selvagem. Mais primitivo e ligado ao vínculo secular com o ser humano. Complexo pela inexistência do diálogo entre dois seres humanos que praticam a mesma lingua. O cão se comunica mas com outra linguagem. Só os iniciados, os dedicados, os transcedentais, os românticos e os amantes da vida são capazes de respeitar o outro ser humano. Ajudar e serem compassivos. Essa virtude também é necessária para se relacionar com os cães. E mais ainda com os americans. Uma raça não plenamente compreendida pelo leigo. E quando existe um mistério temos um desafio e nesse processo surge o encanto e as grandes descobertas.


  • 17 de Setembro de 2019
  • Filosofia

Temos uma filosofia bem definida em termos da ordem de importância para agradar:

Primeiro o cão (que não decide e confia em nós pois nasceu aqui e seu destino está ligado às nossas decisões; isso significa que precisamos ver para onde ele vai - por isso não anunciamos no Mercado Livre ou OLX pois nesses locais basta clicar, pagar e levar - nosso foco não é o comércio - temos um ideal e princípios).

Em segundo lugar vem a pessoa ou família: ela precisa ficar feliz (por isso faço perguntas e escuto os anseios para ver o perfil visando agradar.

E em terceiro lugar vem a mim e minha esposa pois se os dois primeiros estão felizes nós ficamos muito mais!


  • 02 de Julho de 2019
  • O whatsapp e as geleiras do Ártico.

Houve um tempo em que uma pessoa para visitar um amigo andava horas ou dias em cima de um cavalo ou puxado por uma carroça. Com o advento do carro no início do século passado o homem passou a atingir distâncias com muito mais facilidade. O trem passou a atravessar e ligar uma costa a outra em alguns países. O avião tornou possível em poucas horas atravessar o oceano e visitarmos um parente em outro continente. Mas o telefone tornou a comunicação imediata embora sem a presença das pessoas frente a frente. O computador nos ofereceu o e-mail e a internet passou a ser um meio de comunicação interessante.

Ocorre que o telefone com fio era restrito. Ele não nos seguia até nos achar. Caminhávamos em paz pela cidade e vivíamos a vida. Mas eis que surgiu a maravilha do telefone celular. Em qualquer ponto que estivermos do planeta é possível sermos encontrados. E o mesmo criou uma neurose em nós que impede que o deixemos em casa dentro de uma gaveta. Passou a ser uma extenção de nós mesmos. Um órgão externo. Se o esquecemos em casa surgem palpitações e sensação de que algo de grave poderá acontecer: estaremos incomunicáveis! Se algo acontecer quem irá nos encontrar? O homem perdeu a sua liberdade de várias formas em momentos históricos de sua existência. Mas com o advento do celular foi dado mais um passo para a perda de uma liberdade de agir sem a necessidade da presença absoluta e persecutória. Passou a também a perder sua privacidade. Estamos no banho e toca o celular. Estamos namorando e toca o celular. Estamos em todas as circunstâncias vitais e, de repente, ouvimos aquela sequencia de sons prementes nos cobrando atenção como um choro de criança.

Mas eis que o celular não se contentou só em conversar conosco, O celular fez uma aliança "demoníaca" com o computador e insatisfeito na sua arrogância de possuir capacidade para fotografar e filmar pediu em casamento a internet. Ou seja, temos hoje nas mãos um Deus chamado telefone celular. Mas chamar esse objeto de consumo de telefone é diminuí-lo a beira da ofensa. Ele através de um toque faz uma ligação onde aparecemos na tela e faz com que a outra pessoa nos enxergue em sua tela. Mandamos mensagens por e-mails. Assistimos programas de TV, entramos no YouTube, vemos filmes do Netflix, pagamos contas, entramos em nossa agência bancária, fazemos pesquisas instantâneas pelo Google, chamamos um carro e já acertamos o pagamento pelo Uber...CHEGA! 

Percebo que chegará o dia em que teremos um desses aparelhos tão pequenos e poderosos implantados em nosso cérebro para não precisarmos carregá-lo. Esse será o nosso derradeiro momento como seres parcialmente livres para ingressarmos definitivamente num estado em que estaremos fundidos com a tecnologia e suas modernidades. Seremos quase ou totalmente autômatos. Manipulados integralmente por sistemas superiores e destituídos de personalidades como ainda hoje conhecemos. Seremos híbridos.

Erick Fromm, um psicanalista alemão, da Escola Culturalista da Psicanálise escreveu um livro (bem antes de todos esses cenários da modernidade) chamado "O medo a Liberdade" tem um trecho em que ele diz: "existe um momento em que o homem tem a opção de seguir um caminho ou outro e depois disso não existe mais como voltar". Creio que o homem escolheu o caminho errado.

Quase finalizando: hoje as pessoas não se visitam e nem se falam ao telefone (muitas! nem todas!). Mandam mensagens pelo whatsapp. E a preguiça de escrever ou a incapacidade de descrever seus sentimentos é tanta que ainda mandam umas figurinhas. Até eu coloco figurinhas de beijinhos com um coraçãozinho, um sorriso, um OK com o dedo polegar para cima, etc. Uma das minhas filhas não fala comigo há uns 30 dias. Mandou uma mensagem por whatsapp e nem foi pessoal. Foi um aviso de utilidade pública. Nesse período estive hospitalizado no Instituto de Cardiologia. Eu nem a comuniquei. Só meus outros filhos souberam. Pedi para não incomodar essa filha pois se ela está tão impedida de se comunicar com o pai é porque está muito ocupada com temas muito mais importantes.

Sou ainda do tempo em que ia todos os fins de semana visitar meus pais e avós. Dava um beijo em cada um, abraçava e dizia comumente: eu te amo! Não existia whatsapp. Não existe melhor comunicação do que a presença viva. Em último caso a voz ou a imagem de um celular que facilita a comunicação. Mas nada substitui a fala e muito menos o toque das mãos, o beijo e o abraço. O calor dos sentimentos vivos. O afeto exaltado até a sua maior expressão. Tudo que definitivamnte e originalmente nos elevava à condição de verdadeiramente humanos. Humano demasiano humano como diria Friedrich Wilhelm Nietzsche.

Agora finalizando: O whatsapp é útil mas gélido. Nasceu nas entranhas da modernidade. É um filho caçula, bajulado e ainda tem muito para amadurecer e crescer. Vai amadurecer e mostrar outras "virtudes". Mas seu habitat é recôndito e inacessível. Nunca será tocado e suas mãos serão sempre frias. Na verdade gélidas pois habita nos extremos mais frios do planeta. Talvez nas geleiras do Ártico.

Nelson Filippini Almeida


  • 09 de Maio de 2019
  • A melhor recompensa!

Meu diário canino tem sido quase um fato mensal pois tenho sido mais raro nas manifestações. Talvez por perceber que as pessoas pouco se importam com esses conteúdos. Se resumem em perguntar o valor do filhote e, depois de constatarem ser mais caro que um american do vizinho ou do Mercado Livre apenas agradecem. Estamos vivendo uma Nova Era. E essa realidade me faz lembrar que também é uma Era do Vazio ou também do Caos. Mas muitos percebem ainda a diferença entre criar e cruzar. Esses me procuram. São pessoas especiais que logo abaixo relatarei um fato. Quem cruza apenas se preocupa em vender e pagar seus custos ou aproveitar esse valor extra para investir em algo. Mas quem cria tem muitas preocupações que costumo falar pessoalmente para meus amigos. E eles são testemunhas.

Antes de relatar um fato pessoal forte, humano e belo quero dizer que a ninhada da CELTA com o CYBORG nasceu. Maravilhosa! 

Bem, nessa vida temos altos e baixos. Ela não é linear. Tu que estás lendo sabes que já passastes por momentos difíceis. Chorastes e pensastes as vezes em sumir desse planeta. Mas já sorristes, pulastes de alegria e sonhastes com belos dias. O que é linear e reto é a morte. Olhe o eletrocardiograma. Uma linha reta na horizontal. Mas quando existe a vida o traçado do ECG mostra ondas elétricas subindo e descendo. 

Quando Robert M. Pirsig andava com sua moto tendo o filho na garupa avistou pássaros voando, os melros. Avisou seu filho adolescente da bela cena. Os melros planando sobre a planície enovoada na aurora do outono. O adolescente respondeu: eu já vi um monte desses pássaros! Daí ele pensou: - aos onze anos não nos impressionamos com pássaros pretos de asas vermelhas.

Em meio a tudo isso precisamos manter o equilíbrio e o foco sem esmorecer. Mas as vezes é difícil ainda mais para nós ocidentais e capitalistas selvagens. Li outro dia o David Coimbra, colunista e escritor gaúcho escrevendo que nem o capitalismo e nem o comunismo seriam uma solução. Mas um equilíbrio entre forças de esquerda e de direita. Isso me fez lembrar de um livro chinês escrito há tres mil anos. Defendia que o homem encontraria a verdade no meio do caminho. Sem extremos.

Finalizando a viagem filosofica e etérea, no Bhagavad-Gita, digamos a bíblia dos indianos, escrita há milênios lemos que Krisna, a personalidade absoluta de Deus, ao conversar com Arjuno, o amigo e escolhido por Deus, assim se expressou entre as centenas de orientações: - Qualquer um que permaneça firme em sua determinação de chegar à fase de compreensão espiritual avançada e consiga ter a mesma tolerância às investidas da aflição e da felicidade, na certa é qualificado para a libertação.

Relatando o fato humano que me recompensa e torna importante meu trabalho de seleção:

- uma senhora me telefonou há tres dias. Ela emocionada queria me agradecer. Disse que há 17 anos havia entregue uma filhote de american vermelha. Filha do Mustang que já faleceu. Ela chorando desejava me agradecer. Dizia que aconteceu o que havia dito. Ela seria sua amiga e companheira. Ela foi sua melhor amiga. Morreu em meus braços. Disse que ficou com ela até o último instante. Viveu 17 anos comigo! Não sei como lhe agradecer. Tânia Guedes.

Bem, creio que essa é uma das ocorrências lindas da criação. A melhor recompensa. Mas infelizmente, o homem com sua capacidade ímpar de destruição está ameaçando a raça com seus cruzamentos comerciais e sem critérios. Repito que criar não é só cruzar.

Beijos a todos!

Obj.: as fotos mostram o CYBORG e a CELTA. 

 

 

 


  • 25 de Abril de 2019
  • Ele suporta a dor como poucos.

O homem caçador-coletor quando resolveu se expandir e chegar a todos os recantos do globo causou extrema modificação do planeta. Achados arqueológicos mostram que onde o homem passou ocorreu destruição de florestas e de animais nativos. Outro dia li que dentre todos os países do planeta o Brasil é ainda o que menos destrói a mata. O que tem maior proporção de áreas verdes intocadas. Interessante porque a idéia que fazia era diferente. Mas, voltando ao tema, o homem é um destruidor por natureza. O maior predador do planeta. Com o passar dos séculos seus potenciais destrutivos foram evoluindo e hoje num apertar de um botão uma guerra nuclear entre apenas duas potência formaria uma nuvem no céu que impediria a passagem dos raios solares. Em um ano quase toda a população do planeta morreria. Sem contar na chuva ácida e no desequilíbrio do habitat em outros sentidos. Os mais "inocentes" do planeta jogam plásticos para tomar os rios e mares e matar até tartarugas com os intestinos repletos de sucatas da nossa "adiantada" civilização. Grande homem! Isso que ele é tido como a imagem e semelhança de Deus. Imagine se fosse do demônio.

Mas talvez até por possuir essa capacidade cognitiva oriunda do crescimento do telencéfalo, da região frontal, existe uma consciência maior que nenhum animal possui. O animal homem pode declinar abaixo dos limiares e pode ascender as alturas. Então vemos o Hitler e o Gandhi. O Stalin, o Gengis Khan e São Francisco de Assis. Nenhum animal da Terra possui tantas diferenças extremas.

O homem não deseja ser feliz ou obter a paz em sua plenitude e sempre. Freud descobriu em nós duas forças antagônicas residindo dentro de nossa mente. Eros e Thanatos. Instinto de vida e de morte. Uma parte de nós deseja o crescimento, o amor, a vida. Outra parte deseja a morte, a putrefação, o conflito, o ódio, o desamor e a morte. É fácil perceber esses extremos em nossas vidas e na sociedade. 

Isso explicaria porque o mundo não se entende. John Lennon disse; All you need is love! Jesus: amai-vos uns ao outros. É óbvio que o que falta no mundo é amor.

Por isso pouco dá certo nesse planeta. Invasão de muçulmanos radicais. Homens-bombas. Pessoas acreditando nas palavras "santas" de líderes e profetas que se dizem auscultadores dos desígnios e leis divinas. Seguidores cegos que acreditam que Deus queira que morram os seguidores dessa ou daquela religião. Um Deus vingativo e cruel. Um Deus que tomou uma champagne para comemorar as mortes de mais de 300 católicos orando nas igrejas de Sri Lanka há poucos dias. Pobre homem fanático e inculto. É o mesmo homem que se degladia por política. Perdi um amigo do PT porque votei em Bolsonaro. Eu que não tenho partido. Para mim pouco importa o partido. E posso deixar de gostar de Bolsonaro a qualquer momento também. Tento acreditar em alguém no meio da desordem. Um outro amigo é anarquista. Quanta loucura.

No Brasil as duas forças antagônicas se degladiando. De um lado os Bolsonaristas e do outro os da oposição cruel que defendem os infratores, os estupradores excluídos e vítimas da sociedade. De um lado um filho do presidente usando as mídias sociais como usamos nosso vaso sanitário e do outro lado a oposição e a mídia louca pela polêmica, pelo desacordo e pelo caos. Me lembrei agora da Teoria do Caos (tema interessante). E o STF querendo ser investigador, acusador e carrasco. 

Bem, no meio disso tudo divagações sobre cinofilia. Bem, a relação com um american te permite bons momentos de alienação ou fuga desse caos. Se não podes deixar tudo, pegar um barco e morares numa ilha possuir um american te propiciará companhia fiel, amigo para caminhadas e também aquele olhar curioso quando sentares para filosofar sobre a razão do teu time ter ficado de fora da decisão. Ou aquela lambida quando estiveres tomando um whiskey apreciado o Jethro Tull ou quem sabe Miles Davis. Mas o american staffordshire é tão benigno que suportará se colocares Anita ou Luan Santana. Ele suporta a dor como poucos. E, se mesmo assim decidires ou conseguires fugir para uma ilha ele te acompanhará.

Seja como for viajar é preciso. Como sabemos a liberdade de pensar e sonhar nenhum sistema nos tira.