Blog do Criador

Esta seção é o blog do criador. Impressóes sobre o American staffordshire terrier, a criação, o canil, assuntos relevantes e polêmicos podem ser abordados de forma livre e transparente. Se tens alguma contribuição verdadeira a fazer para a raça envie um e-mail que discutiremos.

  • 25 de Setembro de 2014
  • Eros

Diariamente acompanho a ninhada da Farah com o Blue Rambo. Restaram 5 filhotes. Eram nove. São agora 4 machos (maravilhosos) e uma fêmea apenas que tenta sobreviver. Os machos são muito fortes e a empurram. Meiga e dependente em parte do destino e em parte daquela tênue força que a faz lutar pela sobrevivência. Os animais lutam tanto nessa vida pela sobrevivência. Sei que se deixar ao natural essa pequena guerreira irá morrer. Ajudando talvez sobreviva. Já salvamos muitos filhotes que tinham dificuldades e, depois, se mostraram americans maravilhosos e de um temperamento tão afetivo que pareciam querer nos agradecer pelo que fizemos. Isso acontece mais em ninhadas grandes. De madrugada, lá pelas 3 horas, quando minha esposa vai monitorar a ninhada e ver como ela está, seguidamente a encontra atrás da Farah, enquanto os machos, vigorosos estão mamando. Deixada lá poderá morrer. Mas com a ajuda nossa existe esperança. Nessa vida necessitamos da ajuda muitas vezes de fora. Existe uma fase na vida que somos narcisistas ao ponto de acharmos que somos o centro do universo. O homem maduro sabe que existe o outro e que sozinhos definhamos até morrermos. O que nos impele para a vida é o amor e essa energia, o instinto de vida que permite a sobrevivência, se chama Eros.

Os 4 machos da Farah são de cinema. Dois são pretos fechados. Um é vermelho fechado e outro é vermelho malhado e lembra o Red Byron. Não abriram ainda os olhos. Vou colocar fotos deles em breve. 


  • 16 de Setembro de 2014
  • A transformação.

Outro dia um colega médico cirurgião geral encontrou um neurologista que foi meu colega de consultório no passado. Esse neurologista é muito bem sucedido em Porto Alegre. O neurologista perguntou ao cirurgião: - como está o Nelson? O cirurgião que é um amigo que frequentemente telefona para mim e, uma vez ao mês, almoçamos juntos, respondeu: ele está bem, tranquilo. O neurologista comentou: como é que o Nelson se envolveu com cães? Ele é tão inteligente, Em vez de se envolver totalmente com a medicina. O outro colega respondeu: pois é, são as diferenças neurológicas de cada um, precisamos respeitar as diferenças.

Eu estou quase terminando a minha formação de 3 anos em psicoterapia e psiquiatria. Uma pessoa normal pararia de criar americans e se dedicaria apenas ao trabalho médico. Eu fiz isso quase toda a minha vida antes de me envolver com os americans. Trabalhava em 4 hospitais e mais a Secretaria da Saúde antes do acidente que sofri. Depois que sai do coma repensei a minha existência. Minha família mal me conhecia. Ganhava muito dinheiro mas corria de um ponto ao outro. Vivia automáticamente. Nesse momento em que escrevo a Farah está tendo filhotes. Ela é filha de dois americans de estrutura, premiados e que só possuem campeões americanos no pedigree. O pai é o Blue Rambo, um campeão que possui história. Os dois são New Kraftfeld e esse nome me toca pois é do meu canil, do meu trabalho como criador. Significa novo campo de força. E a vida é a nossa maior força. Cada vez que vou até lá vejo o movimento de uma nova vida. Uma vida animal. A Farah não fala comigo com palavras; Apenas me olha e expressa sentimentos. Creio que o ser humano deve se permitir fazer mais coisas do que apenas uma atividade. Quando fechamos as portas para tantos caminhos vivemos menos. E existe algo no convívio com os americans que mexeu comigo e me mantem ligado nessas duas décadas de criação. Eu encontro no convívio com os cães algo diferente que não vejo nas relações humanas em sua maioria neuróticas e efêmeras. Passado o interesse inicial as pessoas geralmente se distanciam. O ser humano é o único animal na Terra que pode destruir o planeta. Vivemos num eterno conflito interno e externo. E, no convívio com os americans eu sinto uma energia inefável que talvez apenas os iniciados, os que amam ou os que transcendem a si mesmos percebem. Talvez eu me identifique com algo que percebo e sinto nos americans. Talvez eu tenha muito do que eles possuam e isso me atinja e se funda numa relação de mútua admiração. Eles me compreendem e demonstram afeto. Uma parceria. Vejo seus olhos e eles os meus. Existe um pacto, um encontro e um compromisso. Sei que isso é forte e que jamais o meu colega neurologista entenderia. Poucos conhecem bem a palavra fidelidade. O materialismo remete nossos interesses para a conta bancária. Pouco enxergamos além de nossa circunferência. De fato, todos nós precisamos de recursos e o dinheiro movimenta o mundo. Mas só o amor possibilita a transformação. Alguns poderiam dizer que eu poderia estar me dedicando a atender pessos que seriam mais importantes do que os cães. Mas eu atendi nos anos todos que trabalhei perto de 400.000 pessoas pelos meus cálculos aproximados. Já dei uma bela parte do meu sangue e suor para as pessoas. Posso me dar ao direito de me doar aos animais. E tenho o direito de escolher o animal e a raça. E eu amo os meus americans e acho que eles gostam de mim. E os americans criam elos com as pessoas que entram para a família New Kraftfeld e essa ponte é do bem pois quem não ama os animais não ama as pessoas.


  • 23 de Agosto de 2014
  • Cinco dias de vida.

A ninhada da NAVAJA com o CIELO nasceu no dia 18 desse mes. Estão com apenas 5 dias. Fico feliz ao ver a vitalidade deles. Um dos aspectos mais importantes quando vejo uma ninhada é se existe muito instinto de vida. Quando presente faz com que o filhote recém nascido busque as mamas com determinação numa ansia para sobreviver. Recebendo o colostro, o "néctar dos deuses" para os filhotinhos, existe uma chance grande do filhote sobreviver. Se a mãe possui leite e é cuidadosa com a ninhada temos o passo seguinte para que tudo corra bem. O filhote que fica para trás por não conseguir mamar como outros precisa manter a vitalidade e lutar com mais intensidade ainda para sobreviver. Uma boa mãe as vezes vendo isso separa instintivamente aquele que está bem alimentado para um lado possibilitando que aqueles que estão em desvantagem se recuperem. Uma mãe inexperiente pode, ao escutar ruídos, aproximação de pessoas ou latidos de outros cães deixar o local de seus filhotes para latir ou ver o que acontece. Ao fazer isso as indelicadas podem pisar e machucar algum filhote. Depois de algumas horas vemos algum filhote chorando mas sem mamar. O abdomen fica inchado, endurecido e dolorido. Houve uma lesão interna e esse filhote geralmente não sobrevive. Por isso é importante uma relação especial entre mãe e ninhada. Essa combinação de desejo forte de viver do filhote com proteção dedicada e delicada da mãe são os dois pontos fundamentais para a sobrevivência de uma ninhada. Assim eu tenho visto nesses mais de duas décadas criando.

Amanhã eu capto as primeiras fotos da ninhada, mas serão apenas gerais, todos juntos. Quando abrirem os olhos, com 13 dias de vida coloco fotos individuais. São 10 filhotes. Seis fêmeas e quatro machos. Já tinha 6 reservas antes de nascerem. Serão belos azuis!


  • 19 de Agosto de 2014
  • Talvez...

A morte do presidencialvel nos remete para a incerteza da nossa existência. Porque nós não conseguimos nos concentrar no essencial se sabemos que nossa vida é frágil e efêmera? Nunca consegui uma resposta satisfatória. A vida e a morte andam juntas mas a morte é a vencedora pois é sempre ela que no final triunfa. Talvez seja por isso que Jesus tenha dito que o príncipe desse mundo seria o diabo, a força do mal. Talvez. Se olharmos para o mundo, a crise eterna na faixa de Gaza, os conflitos raciais e religiosos que nunca findam e a incessante jornada guerreira do ser humano para sobreviver não podemos deixar de perceber que somos vítimas num belo, teórico, potencial, maravilhoso e terrível mundo. Na Terra tudo pode ser lindo ou horrível, cômico ou trágico. Talvez. Se não existisse o homem. Existe uma frase na Bíblia referindo que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Será? Talvez Freud tenha razão em sua frase: o sarampo como a religião são doenças infantis. E John Lennon: imagine o mundo sem religiões...

Mas a ninhada da Navaja não tem nada a ver com essas divagações filosóficas e nem o Cielo se preocupa com esses conflitos humanos. O cão vive sem grandes preocupações. E isso é um dom de quem não pensa. Penso, logo existo dizia René Descartes. Mas o cão não pensa e existe e, melhor, não joga bombas na faixa de Gaza. Nasceram ontem. Ela está meio ansiosa e inquieta. É a sua primeira viagem no terreno materno e isso deixa qualquer mulher, digo, cadela, nervosa. 

Na medida que a situação ficar estável eu comunico os detalhes. Na vida é sempre melhor esperar que as coisas fiquem estáveis. Talvez...


  • 10 de Agosto de 2014
  • Dia dos pais...

Quem é pai sabe que só começamos uma vida adulta de verdade quando assumimos a paternidade. Quem é filho e tem a sorte de ter um bom pai desconhece quando é jovem a jóia que possui. E quando perdemos o pai percebemos muitas coisas que faríamos diferente se pudessemos recuperar a sua vida. Notamos no dia a dia verdades que só percebemos ao sermos pai também. O pai sempre foi relegado a um segundo plano em relação à mãe. A frase que diz: mãe é mãe diz tudo. Mas ser um bom pai é uma arte e sem uma figura paterna correta, digna e que propicia uma ordem e um exemplo no caos de nossas inquietudes, inseguranças, medos, desordens internas e toda a sorte de necessidades, sucumbimos a uma série de desordens ou falhas de formação. Mas ter um bom pai não é uma condição que atinge a todos. Mas ser um bom filho também não é uma dádiva que acontece a todos os pais. Muitas vezes cobramos dos pais mas não lembramos do nosso papel como filhos e daquilo que podemos fazer para melhorar a nossa relação. 

O dia dos pais poderia ser um binômio pais e filhos pois um não existe sem o outro e ambos devem equilibrar as balanças para viverem em harmonia e equilíbrio.


  • 25 de Julho de 2014
  • Dia terrível. Melhor deletar da memória...

A USA, irma do Highlander que eu importei junto dele foi internada há 5 dias. Depois de dias de sofrimento faleceu. Não quero me alongar pois já chorei muito ontem. Foi para necrópsia. Logo escreverei uma homenagem a ela no site. Mas antes preciso elaborar o acontecimento. Não sabem a causa. Ao sair da clínica veterinária as 22h um carro me fechou e impediu que eu seguisse. Uma pessoa quis me assaltar e eu pisei no acelerador, subi na calçada da esquerda e fugi a mil. Fui seguido em alta velocidade. Pareciam aqueles filmes. Eu apavorado, não sei como não enfartei. O sujeito me alcançou mais adiante, uns 4 quilômetros, quando passava por uma sinaleira fechada e tive que reduzir a velocidade. Mandou eu jogar as chaves para fora do carro. Eu fiz isso e sai do carro. Vi um posto de combustivel uns 30 metros e corri a pé até lá enquanto ele colocava o carro dele à frente do meu. Lá encontrei uns 10 policiais da Brigada. Prenderam o cara! Sai da delegacia, após prestar depoimento, lá pela 1 hora da madrugada. Por isso foi um dia terrível, de se deletar da memória.

Mas amanhã será um dia bom. Depois da tempestade sempre vem a bonanza.


  • 24 de Julho de 2014
  • Programações...

Nesse final de semana colocarei as fotos INDIVIDUAIS dos lindos 14 filhotes da Sherwood com o Hunter. Pedirei então para todos que fizeram suas reservas que escolham, na ordem, seus filhotes. São todos excelentes diferindo nas cores. Minha mulher começou a oferecer na mão uma papinha para cada um visando torná-los independentes o mais rápidamente possível pois a Sher não sei por quanto tempo suportará 14 filhotes mordendo suas já vermelhas mamas. É uma ninhada abençoada e olho todos os dias com muito amor a ela e aos mocinhos e mocinhas que se agitam com energia, força e vitalidade como sempre almejamos observar. 

Andei ausente nos últimos dias desse espaço pois estava dando ênfase ao facebook que nunca dera muita importância e passei a dar por ser um veículo respeitável.

Mas meu espaço predileto é o site. Nesse período não deixei de colocar as fotos enviadas para a Galeria de enviados e fiz dois filmes dos filhotes do Highlander com a Kate e da Sherwood com o Hunter.

Em breve estarei aqui novamente.

Cliquem no ícone facebook na página inicial se quiserem curtir minha fan page. Está começando a ficar interessante.


  • 27 de Junho de 2014
  • Chuva, psiquismo e detalhes da gestação de Sherwood.

PSIQUISMO E DETALHES DA GESTAÇÃO.

A chuva aqui no sul está intensa e constante. Nosso psiquismo é afetado por essas variantes no clima. É fácil se perceber como ficamos diferentes quando faz sol e quando a noite toma conta do céu. O mesmo ocorre nas diferenças das estações quando um semblante taciturno ou meditativo dos tempos invernais é substituído por um ar esperançoso e alegremente receptivo às flores que invadem os jardins com suas múltiplas cores primaveris.
Pensando no olhar eu noto que a fêmea Sherwood, minha linda american staffordshire terrier está muito diferente. Caminha carregando em seu abdomen o peso de novas vidas que terá em breve que cuidar. Seu olhar é de insegurança pois as mães, embora esperançosas, temem o desconhecido, os riscos e a dor que estão para terem. O cão, embora não possua a capacidade intelectiva para imaginar amplas possibilidades como o ser humano, possui entretanto uma natureza talvez intuitiva e ligada ao instinto que transcende a lógica cartesiana dos homens. A Sherwood está sentindo o que está por vir e seus olhos pedem ajuda, compartilhamento, compassividade e um afeto que tantas vezes ela nos deu e que agora está carente.
Ela possui em seus gens uma das melhores possibilidades do mundo no que se refere à raça. Seu pai importado dos USA é filho de um american que foi considerado, na terra da raça, várias vezes o melhor padreador americano. Sua mãe é importada da Europa e só possui campeões americanos no pedigree. Mas acima de tudo isso está a beleza e o temperamento dessa jóia. Não basta um excelente pedigree sem a constatação real da totalidade que um american expressa no dia a dia. O pai da ninhada que nascerá dentro de poucos dias é uma concentração de 20 anos de trabalho com americans desde os primeiros que existiam no Brasil, passando pelo casal que importei dos USA em 1998, o Aliaj Red Byron e a Aliaj Thatcher que era filha do campeão mundial de 1997. Algo que devemos sempre lembrar é que uma jóia deve ser conservada e valorizada. Diria até protegida. Um móvel antigo, um carro cadilac dos tempos de nossos avós deve ficar num museu para que continue existindo para a admiração dos olhos das gerações futuras. Na raça american eu homenageio esses honrados americans do passado prestigiando suas genéticas e conservando um elo que me mantem com esses gens. Por isso nunca comecei do zero novamente. Qualquer american que introduzo é para somar em certos cruzamentos mas mantendo a qualidade pregressa conquistada. A qualidade não precisa ser necessáriamente fruto de resultados em exposições. A qualidade é mais do que isso. Existe até uma área do conhecimento que é chamada de Metafísica da Qualidade e desenvolvida por Robert Pirsig. Ele discutiu a questão da existência da qualidade num plano mais amplo.
Seja como for, a chuva me deixa pensativo, reflexivo e noto o quanto a vaidade das pessoas interfere em tudo o que o homem coloca em suas mãos. Por isso a ciência nunca evolui onde o homem interfere com sua vaidade mas sim com a verdade que é encontrada pela pesquisa. E criar cães não é uma ciência e sim uma arte. 


  • 24 de Junho de 2014
  • Os primeiros dias de nossas vidas.

Uma psicanalista inglesa chamada Melanie Klein revolucionou a concepção que existia a respeito das crianças. Freud e sua filha, Ana Freud, essa psicanalista infantil, entendiam que não se poderia tratar mentalmente uma criança pois ela não

teria ainda condições de reponder às técnicas psicanalistas. Melanie, através de sua técnica procurou entender o ser humano desde os seus primeiros dias de vida. Elaborou teorias para explicar o funcionamento psíquico do bebê e com suas técnicas mudou os conceitos que tinhamos pois julgáva-mos que a criança só mais tarde entenderia e perceberia. Desde cedo temos o amor e o ódio. Nos sentimos ameaçados quando a mãe se separa de nós e não nos oferece o seio. Sentimos ódio. Mas amamos e nos sentimos protegidos quando a mãe nos abraça e oferece o leite quente e gostoso que sai de seu maravilhoso seio.

Um filhotinho de american quando está em seus primeiros dias de vida deve ser tratado com amor desde cedo. Ao pegar o filhote em nossas mãos devemos já conversar com ele para que ele ao ouvir a voz humana se sinta a vontade conosco e mais tarde com a pessoa ou família que o receberá. Essa pelo menos é a minha teoria. Nós tratamos com afeto o filhotinho desde cedo para que ele se sinta feliz e seguro. Para o humanizarmos desde cedo. Isso faz com que nos liguemos a eles. Sei quem é quem e procuro não pensar no filhote no dia da entrega pois sofro com isso. Eu e minha mulher ficamos felizes porque somos uma ponte, um elo, para que uma família, uma criança, uma pessoa que precisa de um amigo ou amiga conquiste essa alegria através de nós. Nossa idéia é de que o filhote precisa de amor desde cedo.

Nesses mais de 20 anos que crio eu aprendi muito e precisei evoluir para progressivamente ser um melhor criador. Notei que a criação é um trabalho que transcende a nós próprios pois precisamos superar o nosso ego, com todas as vaidades e egocentrismos para podermos melhorar com os nossos amigos cães. A idéia que ainda existe nesse país e no mundo, na maior parte dos que criam cães é de que basta cruzar esse com aquele, dar alimento e esperar o momento de vender os filhotes. Eu fico com extrema pena dos animais, em particular nesse momento dos cães que tem sido apenas um objeto para nossas necessidades de toda a espécie. 

O cão evoluiu através dos séculos em seu contato com o homem. Hoje temos toda a sorte de habilidades que o cão desenvolveu, de maneira especializada para atender o ser humano que se tornou um patrão, um dono ou amo. Na verdade, quando as tarefas são executadas com afeto e respeito pelo cão, esse desenvolve uma parceria, uma amizade e se diverte com a união. Mas o homem precisa sempre respeitar o cão. Por isso eu sempre dialogo com a pessoa antes de entregar um filhote. Um filhote que nós cuidamos e damos amor não pode ir para qualquer lugar, ou qualquer pessoa. Felizmente encontramos pessoas maravilhosas nesse planeta. Pessoas que só ao falar ao telefone notamos um brilho em suas palavras que parte do peito, refletindo o amor e o calor que esse filhote receberá nesse lar. Quem nos respeita tenderá a respeitar também o cão. Uma pessoa boa costuma amar os animais. Quem destrata um cão não é uma pessoa equlibrada e saudável psiquicamente. Por isso sempre peço a Deus que me envie as boas pessoas e Êle tem sido generoso conosco.


  • 20 de Junho de 2014
  • Que sorte do Cielo e da Navaja!

O dia está lindo. O céu de um azul vívido. Algumas nuvens talvez me desmintam. Mas só a presença do sol aquecendo o ambiente já nos propicia bons sentimentos. Não é a toa que muitos povos adoravam o sol como divindade. O frio atingiu o sul do país e nessa época do ano ficamos a mercê das ondas de frio que nascem no polo sul, atravessam a Argentina e chegam aqui em Porto Alegre sem passar pelo Messi.  Isso de certa forma é bom porque se tivessemos ainda que enfrentar o Messi durante todo o inverno seria demais. 

Os filhotes da Kate com o Highlander crescem com graça, saúde, beleza e força. Possuem aquilo que chamo instinto de vida forte. No homem esse instinto de vida reside no território que Freud denominou de Id. É nesse território que surgem aqueles impulso mais atávicos. Esse mesmo impulso que te faz pensar em atacar a Angeline Jolie mas que reprimes ou de agarrar o Brad Pitt se fores mulher mas fazes o mesmo. Seguras no inconsciente. Depois resolves dormindo com a mulher ou com o marido. É a vida. Não se pode ter tudo. Mas o cão não é civilizado. Ele é puro instinto. Ele não consegue reprimir um desejo intenso, uma pulsão incontrolável do Id. Por isso hoje o Cielo cruzou com a Navaja. Não marcaram casamento, não planejaram a educação dos filhos, o hospital onde será feito o parto, o médico que a atenderá, a escolha de um plano de saúde ou se mais tarde terão condições de colocar a prole numa faculdade. Não. Os cães como todos os outros animais na terra não pensam no amanhã e desconhecem o que significa civilização. Essa invenção é do homem e mudou sua vida. Hoje somos moldados pelas leis sociais, pelos dogmas, pelas condutas mais adequadas e pela premência de adiar ou controlar nossos impulsos. 

O Cielo não é um civilizado. É um american. Por isso não precisa controlar ou reprimir seus impulsos. Um dia, lá no passado longínquo, quando o homo sapiens caminhava pelos vales ou florestas do continente africano. Ou, principalmente dentro de cavernas, não precisava reprimir. Era feliz. Ainda não sabia o que era civilização. Conta de luz, inexistência de metrô em Porto Alegre, inflação, risco de guerra nuclear ou ter que ouvir a Dilma. Mas foi o preço que pagamos e ainda pagaremos por essa "maravilhosa" civilização. Que sorte do Cielo e da Navaja. 


  • 12 de Junho de 2014
  • Alternâncias.

Nossas vidas não são lineares. Temos momentos importantes, de extrema alegria que são raros e muitos momentos de alegria moderada alternados por momentos de tristeza. O homem desde cedo é treinado a suportar a frustração. A criança chora com raiva ao ser frustrada e sente ódio extremo naqueles momentos em que o seio não é oferecido quando sua fome surge. Isso já está mais que provado pelas teorias de Melanie Klein, uma das maiores psicanalistas do século passado.

Bem, numa criação eu venho experimentando essas experiências ao longo desses mais de 20 anos. Quando tudo anda bem percebo que os leigos julgam ser fácil criar pois basta colocar um macho em contato com uma fêmea e o resto a natureza se encarrega. Não é nada disso. Nas ninhadas recentes ocorreu o seguinte (tirando a do Highlander com a Kate que espero que tudo continue bem): a da Spartha que eu tinha 5 reservas nasceram 4 mortos e só uma nasceu viva e sobreviveu. Na ninhada da Farah nasceram 14 mas só sobreviveram 6. Isso com extremo trabalho nosso para que ela atendesse os filhotes pois após a cesárea não queria aceitar os filhotes. Há 4 dias eu internei a Shiwa pois ela não tinha dilatação e nada de nascerem os filhotes. Ontem foi para cesárea. Com excessão de uma fêmea todos estavam mortos (sobreviveu uma femea que morreu hoje pois a Shiwa não reconheceu como filha apesar de passarmos a noite colocando nas mamas para ver o que acontecia). Frustração e sofrimento para nós. Quem reservara certamente ficou triste. Por outro lado já tive ninhadas que acordei pela manhã e haviam nascido 10 filhotes e a mãe fez tudo sozinha e estavam todos bem.

O desgaste físico e emocional de quem cria é grande. Pelo menos com os criadores que se envolvem de verdade. O processo começa na escolha do casal e nos cuidados até que ocorra o acasalamento. Depois no oferecimento de uma dieta hiperprotêica excelente para a gestante. Durante esse período existe todo um envolvimento psicológico diário até a hora do nascimento. E se tudo correr bem, o ótimo será ter o trabalho de acompanhar as vidinhas que lutam para sobreviverem. Esses cuidados são bons pois significa que estamos vendo um progresso. Um bom criador vive de sonhos e nunca de certezas. Um bom criador é um idealista que almeja uma excelcitude, uma ninhada que sonha que virá mas que só o tempo dirá se o que planeja realmente se tornará um fato. Planos genéticos e físicos poderão virar realidade ou se dissiparão como pó ao vento. Só existe uma forma de continuar: permanecer sonhando e perseverar. Por isso peço para aqueles que reservaram terem um pouco mais de paciência e aguardarem mais um pouco pois ninguém domina o imponderável.

Como está numa letra da canção Turn Turn Turn: Para tudo há uma estação e um tempo para todo o propósito sob o céu. Um tempo a ganhar, um tempo a perder. Baseada no Eclesiastes.


  • 31 de Maio de 2014
  • Espelho da alma.

Interessante como é o olhar do cão. Hoje quando fui prender a Pit Blue e o Blue Rambo eles notaram que eu me dirigia a eles com essa intenção. Ela me olhou fixamente e profundamente. Ela não esboçou movimentos pois estava tesa, retida, sob contração de sua musculatura. Aguardando como uma represa prestes a estourar. Ao abrir o portão da parte de cima do terreno eles desceram correndo como um carro de fórmula 1. Além dos gestos efusivos ou os econômicos, dos latidos e toda a sorte de manifestações caninas,  vejo no olhar uma das formas mais marcantes dos cães se comunicarem. Podemos perceber profunda tristeza, melancolia. Podemos notar angústia e inquietude. Alegria e também desesperança. Esse olhar é um dos mais observados nos cães que ficam presos em canis sem a oportunidade de passearem ou conviverem com seus donos. É o mesmo olhar que percebemos nos detentos em presídios. Ou nos psicóticos crônicos graves nos manicômios, nos velhos largados pelas famílias num lugar qualquer. O olhar, o espelho da alma está presente nos cães. O segredo maior é detectarmos, analisarmos, percebermos, valorizarmos e humanizarmos a relação com os cães a partir dessa percepção. O termo humanizar cabe perfeitamente à nossa relação com os cães porque depois de séculos convivendo conosco os cães se tornaram os mais humanos dentre os animais.